A volta de Salgari, o rei dos oceanos e da selva
Três livros do escritor italiano estão nas livrarias à espera de leitores que sigam o exemplo de Fellini e Umberto Eco, seus fãs
Edward Said não gostava nada da ideia que o Ocidente fazia do Oriente. Aliás, achava mesmo que o Oriente era uma invenção do Ocidente para manter os orientais submissos, mas jamais culpou o italiano Emilio Salgari (1862-1911) por isso. O mais amado escritor de aventuras da Itália, lido por Fellini e Umberto Eco, mais conhecido que Dante na Itália, não recuou ao reduzir o oriental a estereótipo, transformando Sandokan, um príncipe oriental, num vingativo pirata temido por comandantes ocidentais, o que explica, talvez, a omissão de Said. Os heróis de Salgari, afinal, eram bárbaros donos do mundo. O resto era a civilização, aborrecida e invariavelmente representada por imperialistas ingleses. E são esses bárbaros que estão de volta com o lançamento de Os piratas da malásia (Iluminuras, 256 pp., R$ 38 – Trad.: Maiza Rocha). Nesse livro, cheio de sangue, suor e fúria, Sandokan, o nobre cuja família foi exterminada, vira um pirata conhecido pela alcunha de o Tigre da Malásia, perseguindo mais uma vez os ingleses, claro.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
