O autor antes do livro
Escritores revelam detalhes de seu processo criativo e confessam passar horas diante de páginas em branco
Richard Powers fica deitado o dia todo enquanto dita seus romances para um laptop com programa de reconhecimento de voz. Junot Diaz, autor do vencedor do Pulitzer A fantástica vida breve de Oscar Wao, fecha-se no banheiro e, com o bloco de anotações equilibrado na beirada da banheira, escreve passagens complicadas de seus livros. Hilary Mantel, cujo drama sobre a dinastia Tudor Wolf Hall concorreu ao Man Booker Prize deste ano, entra debaixo do chuveiro quando fica sem ideias. “Não sei dizer o número de páginas que tenho com marcas d’água”, diz. Uma safra vigorosa de livros de alguns dos maiores nomes da literatura está em fase de lançamento. Kasuo Ishiguro, Orhan Pamuk e Richard Powers, entre outros, estão com novos títulos. Nos bastidores, muitos desses escritores afirmam ter dificuldades com o trabalho diário, passando horas solitárias diante de páginas em branco. A maioria tem opinião similar sobre obstáculos comuns: a demora, o bloqueio criativo, o medo do fracasso e o poder de desviar a atenção da internet. Poucos escritores ficam irritados diante da pergunta inevitável: como escrevem?
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