Caminhos que unem a prosa e a poesia
Em Porto de Galinhas, escritores usam tecnologia para a mistura de gêneros
São seis argolas fincadas na orelha direita, além de um pequeno pino na sobrancelha do mesmo lado. Enquanto o braço esquerdo está praticamente todo tatuado, o direito ostenta apenas uma palavra que funciona como senha para o segredo: Yoknapataswpha. À primeira vista, o português José Luis Peixoto tem o perfil físico de um cantor de rock, quase um astro punk. Mas é justamente aquela estranha palavra no pulso destro que revela seu verdadeiro ofício: Yoknapataswpha é a região fictícia criada pelo escritor William Faulkner, um dos preferidos de Peixoto, também autor por profissão. Ele foi um dos destaques da 5ª Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, a Fliporto, que terminou no domingo na cidade litorânea de Pernambuco. Peixoto engrossou o coro de 42 vozes de nove países que discutiu e enobreceu a escrita ibero-americana durante quatro dias. Um fórum de discussões que buscou aproximar culturas semelhantes na origem, mas distantes na prática. E a literatura de Peixoto é um bom caminho para se atingir esse resgate. Ele lançou, durante a feira, Uma casa na escuridão (Record, 288 pp., R$ 42,90), seu segundo romance, publicado em 2002.
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