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Um dissidente entre os mistérios da loucura

07 de novembro de 2009
2 min de leitura

Livro de Luciana Hidalgo mostra como os delírios alcoólicos de Lima Barreto perfazem uma narrativa-limite

Literatura da urgência: Lima Barreto no domínio da loucura (Annablume, 252 pp., R$ 42), de Luciana Hidalgo, ganhador de merecido Prêmio Jabuti na categoria de crítica literária, mostra que, na obra de Lima Barreto, vida, loucura e literatura se encontram numa narrativa limite, que se constrói na interseção do autobiográfico, da crítica e da ficção, caracterizando a urgência de que fala o título. Aliando sua formação em jornalismo à pesquisadora que fez mestrado e doutorado em literatura, a autora nos apresenta um ensaio extremamente sério, mas de leitura muito agradável, que compara múltiplas perspectivas a partir de uma leitura minuciosa do livro Diário do hospício, de Lima Barreto, escrito durante a internação do autor, por alcoolismo, no Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, entre 1919 e 1920. Ao correr dos cinco capítulos, o leitor precisa lidar tanto com os extremos de uma vida atormentada, quanto com os mistérios da loucura, ou, ainda, andar na radical corda bamba da escrita de Lima Barreto, a partir do desabafo incisivo do autor.

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