Na obra de Bolaño, a única ética é a estética
No romance Estrela distante, escritor chileno retoma antigo personagem, para investigar o mal absoluto
Foi em 1996 que Roberto Bolaño, o falecido autor chileno que está mais em voga do que nunca, lançou o complicado La literatura nazi en América. A obra foi tachada de “romance” pela crítica, que não sabia como classificar aquele curioso livro composto de verbetes onde Bolaño, como um historiador, traçava biografias de escritores latino-americanos fictícios que teriam uma relação direta ou indireta com o regime nazi-fascista. O “romance”, que por sua estrutura lembra Bartleby e companhia, do catalão Enrique Vila-Matas, encerrava com uma biografia de 20 páginas de Ramírez Hoffman, um poeta que desenhava seus poemas com fumaça no céu, e também um assassino brutal. Insatisfeito com a maneira “esquemática” com que trabalhou um personagem tão fascinante, Roberto Bolaño dedicou a essa figura seu romance seguinte, Estrela distante (Companhia das Letras, 144 pp., R$ 33), finalmente traduzido e recém-lançado no Brasil. A narrativa inicia em um Chile que se encontra às vésperas da ditadura de Pinochet.
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