“O reconhecimento vem sempre depois”
Phillipe Descola elogia a nova geração de filósofos e comenta o prestígio tardio do pensador nos EUA
Considerado uma espécie de discípulo de Claude Lévi-Strauss, que foi seu supervisor de doutorado, Philippe Descola está à frente do Laboratório de Antropologia Social do Collège de France, criado (e já dirigido) pelo antropólogo. Em entrevista ao Globo, Descola lembra a importância do antropólogo, que reconhece ser o mais importante do século XX, porém observa que outros pensadores estão construindo trajetórias consistentes no cenário intelectual francês, e que a posteridade poderá dar a eles a devida dimensão. Ele conta ainda que os Estados Unidos, que rejeitaram durante muito tempo o estruturalismo de Lévi-Strauss por não compreendê-lo — os antropólogos americanos preferiam privilegiar a etnografia, a pura descrição de fenômenos, no lugar de uma reflexão teórica geral — estão vendo uma nova geração se aproximar cada vez mais da obra do francês. Descola, que manteve contato até o final com Lévi-Strauss, também lembrou que ele tinha uma “lembrança encantada” do Brasil.
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