A era dos intelectuais-mosqueteiros
Morte do antropólogo, último ícone do estruturalismo, marca o fim de uma época do pensamento francês
Há uma charge do cartunista Maurice Henry, publicada em 1967 na revista “La quinzaine littéraire”, que mostra o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o semiólogo Roland Barthes, o psicanalista Jacques Lacan e o filósofo Michel Foucault numa animada refeição ao ar livre, vestidos de índio. Intitulada O piquenique estruturalista, a charge é a melhor maneira que o historiador François Dosse, especialista na história intelectual francesa, encontra para recordar a dimensão cultural alcançada por aquela corrente teórica nos anos 1950 e 1960: “Lévi-Strauss, Barthes, Lacan e Foucault eram vistos nessa época como os mosqueteiros do pensamento francês. É uma figura que não existe mais. Representa um certo modelo de intelectual que foi muito difundido nesse momento em que o estruturalismo era uma espécie de moda”, comenta François Dosse, que conversou com O Globo durante sua passagem pelo Rio para o seminário “Panorama do Pensamento Francês Contemporâneo”, promovido pelo Globo Universidade de 3 a 12 de novembro na Casa do Saber.
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