Documentário estreia em janeiro
Pedro Cezar retrata o poeta, que se comporta como desherói
Como também cultiva a palavra, era natural que o roteirista e cineasta Pedro Cezar sonhasse em fazer um documentário sobre Manoel de Barros. E só conseguiu porque, diante da resistência do poeta, fez um comentário que o desarmou por completo: “Era apenas um sonho…” Ao ouvir isso, Manoel pediu que ele voltasse no dia seguinte, para iniciar a filmagem. “Só dez por cento é mentira” apresenta-se como uma “desbiografia oficial de Manoel de Barros”. E, de fato, é – com previsão de lançamento nos cinemas para 15 de janeiro de 2010, o filme é uma viagem deliciosa pelo universo criado pelo poeta. “Eu sabia que estava invadindo a sua filosofia que prega “a palavra oral não dá rascunho” e também conhecia suas entrevistas por escrito, que realmente são peças literárias insuperáveis”, conta Cezar. Cezar conta que o poeta só viu o filme meses depois – foram duas sessões seguidas, tecendo elogios tocantes. Foi também o primeiro contato com a imagem do filho João, que morrera meses depois da gravação, em trágico acidente aéreo.
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