Notícias de uma guerra particular
O Diário de Mary Berg mostra o conflito de uma jovem judia com Deus diante da experiência cruel do gueto de Varsóvia
Numa passagem do Êxodo (12:21-23), segundo livro da Bíblia, Moisés explica aos anciãos de Israel que, para evitar que Deus inclua os primogênitos hebreus na praga que dará cabo dos filhos do Egito, seria necessário marcar a entrada de suas casas com o sangue de um cordeiro sacrificado. O paralelo entre O diário de Mary Berg (Amarilys, 352 pp., R$ 49 – Trad. Geraldo Galvão Ferraz) e o livro do Êxodo, traçado pela autora, indica que, diante do nazismo, a tarefa de livrar os judeus da morte já não podia ser somente de Deus – ou pelo menos não se esperava que Ele voltasse a se fazer presente como no Egito da sagrada escritura. No dia em que os nazistas decidiram estabelecer o gueto, 15 de novembro de 1940, Mary se lembra da “descrição bíblica da nossa escravidão no Egito”, mas pergunta: “Onde está o Moisés que nos salvará da nova servidão?”
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