Arthur Azevedo e Tibúrcio enfim juntos
Livro traz contos inéditos do imortal, alguns escritos sob pseudônimo
Arthur Azevedo já era imortal da Academia Brasileira de Letras e dramaturgo consagrado quando os donos do “Correio da Manhã” resolveram enxotálo do jornal. O despejo humilhante foi anunciado em público e justificado laconicamente em função de uma “necessidade de renovação” na coluna de contos que Azevedo assinava há quatro anos, desde 1902. Para escolher o novo titular do espaço, o jornal resolveu fazer um concurso de contos. Entre os vários candidatos que enviaram histórias à redação, os editores se decidiram pelo desconhecido mas inegavelmente talentoso Tibúrcio Gama, autor de A viúva. Feito o anúncio, veio a surpresa: Tibúrcio era na verdade o próprio Arthur Azevedo, que se inscrevera com um pseudônimo para revidar a afronta. Numa carta ao jornal, o escritor revelou a autoria e, de alma lavada, anunciou seu desligamento definitivo e irrevogável da publicação. A história esquecida é recuperada no recém-lançado Contos de Arthur Azevedo: os ‘efêmeros’ e inéditos (PUCRio/ Loyola, 300 pp., R$ 42), de Mauro Rosso. Ele foi em busca de histórias de Azevedo, e, na pesquisa, encontrou sete contos inéditos em livro, publicados em almanaques e jornais.
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