Autores criticam rótulo de escritor africano
No Prosa nas Livrarias, Léonora Miano e Ondjaki desmontam clichês sobre a África
Reunidos na quarta-feira em mais uma edição do Prosa nas Livrarias na Livraria da Travessa (evento promovido pelo Prosa & Verso em parceria com livrarias), a camaronesa Léonora Miano e o angolano Ondjaki criticaram aquilo que chamaram de “uma visão monolítica da África”. Essa visão, lamentaram, é difundida em todo o mundo e reduz a diversidade do continente a um conjunto de generalizações e clichês. “Se uma pessoa ouve falar que sou de Camarões, logo me diz: ‘Ah, você é da África? Eu já estive no Senegal!’. Mas Senegal e Camarões são países e culturas diferentes. A África é tão diversa quanto a Europa ou a América, mas no resto do mundo é vista como uma coisa só”, apontou Léonora, autora de Contornos do dia que vem vindo (Editora Pallas, 207 pp., R$ 38). Ondjaki defendeu que o primeiro passo para o contato com outras culturas deve ser o respeito e recordou sua chegada a Lisboa, ainda adolescente. “Em Lisboa tive meu primeiro confronto com o racismo. Mas foi lá também que aprendi a conviver com africanos de outras nacionalidades, como caboverdianos e moçambicanos. Isso muda a forma de olhar nosso país. Há um país que conhecemos quando estamos nele, e um outro que descobrimos ao sair”, disse o autor de Bom dia, camaradas! (Agir, 144 pp., R$ 34,90).
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