Quando a revisão falha, mas não tarda
Alguns erros só são percebidos muitos anos depois da publicação da obra
Até depois de morto, o romancista mexicano Juan Rulfo conseguiu corrigir a edição de sua obra-prima, o magistral Pedro Páramo. Em 2005, a edição comemorativa dos 50 anos de lançamento da novela incorporou alterações que o escritor fizera ao longo de décadas. Embora meticuloso, o colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, só foi perceber um erro em Cem Anos de Solidão (Record) quando fez a revisão para a edição comemorativa dos 40 anos do lançamento do romance, em 2007. “Durante esse tempo todo, nem os tradutores notaram a troca de nome de duas personagens, a amante, Petra, e a mulher, Fernanda, do Aureliano Buendía Segundo “, lembra Eric Nepomuceno, tradutor da nova versão de Cem Anos de Solidão e de outros oito livros de García Márquez, um autor cuidadoso com revisões das próprias edições – fez 300 alterações da primeira para a segunda impressão de Notícias de um Sequestro – que não gosta, porém, de acompanhar as traduções. “Quando peço esclarecimentos, ele diz que já basta ter que aturar tradutor de inglês, francês, alemão”, conta Nepomuceno.
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