Autor brinca com mundo absurdo
No livro A interessante ilha Dukontra, Marcelo Cipis cria realidade onde coisas funcionam ao contrário
No mundo distópico do livro A interessante ilha Dukontra (Companhia das Letrinhas, 48 pp. R$ 32) as coisas são exatamente do jeito que não são por aqui, no nosso mundo real. Lá, as pessoas dormem de pé e o tempo anda para trás. O dentro é fora, o fora é dentro e, nas palavras do autor Marcelo Cipis, 50, “a sombra da figura é a figura da sombra”. “Me fascina essa coisa de virar do avesso”, diz Cipis. Seu trabalho em De passagem (Companhia das Letras, 2008) foi vencedor da última edição do Prêmio Jabuti, na categoria ilustração de livro infantil ou juvenil. Nesse reconhecimento, não há muito de invertido, como acontece na ilha. Basta conversar com o autor para que fique claro a facilidade que ele tem de mergulhar no universo das crianças – talvez por ter dois filhos ainda pequenos. “A criança acha o impossível engraçado”, comenta. Ele também, aliás. “Gosto do absurdo, e a ilustração permite que você entre nisso intensamente.” Só assim, diz, para fazer uma estátua de cabeça para baixo sem ter de pensar se ela está pesada ou se irá se equilibrar.
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