O lugar do malandro
Malandragem ganha espaço na literatura
Curto, com a rapidez de quem quer acabar logo com a entrevista e voltar ao samba& cerveja&amigos de onde foi arrancado pelo toque do celular naquela tarde de segunda-feira, Zeca Pagodinho se define em poucas palavras: “Não sou malandro, sou otário com sorte”. Depois da pausa de meio segundo, explica sem cravar, mantendo-se na indefinição da zona cinza. “Otário com sorte é malandro duas vezes”. Malandro modelar, Zeca faz mais que uma gaiatice quando solta seu aforismo de botequim. A dubiedade, o ato de trançar fronteiras, faz parte da ética e da estética da malandragem – e, mais que isso, de seu senso de sobrevivência. Na sua fala, Zeca reflete o primeiro samba-resposta de Noel Rosa para Wilson Batista, na famosa polêmica que envolveu os sambistas na década de 1930. “Rapaz folgado”, o samba de Noel, é um dos exemplos que ilumina e é iluminado por No fio da navalha — Malandragem e literatura no samba (Casa da Palavra/ Faperj, 208 pp., R$ 32), de Giovanna Dealtry, com lançamento segunda-feira, às 19h, na Livraria DaConde (Rua Conde de Bernadotte, 26 – loja 125 – Leblon. Rio de Janeiro/RJ Tel: 21 2274.0359 e e 21 2511.5731).
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