Biografia leva leitor à inocência de Simonal
Narrativa desvia cantor do papel de delator de subversivos a órgãos da ditadura
Uma Bíblia, o Código Penal e a Constituição brasileira. Naqueles últimos dias de vida, em abril de 2000, esses eram os livros que Wilson Simonal tinha à cabeceira da cama, no quarto do hospital Sírio-Libanês. Sofrendo de uma cirrose que o fez passar por inúmeras hemorragias e três comas, o cantor ainda mantinha a obsessão por provar que, ao contrário da fama, nunca fora informante da ditadura. Escrita pelo jornalista Ricardo Alexandre, a biografia Nem vem que não tem – A vida e o veneno de Wilson Simonal (Globo, 392 pp., R$ 39,90), leva o leitor a acreditar nessa inocência alegada pelo músico. O livro desembaraça um tenebroso novelo de acontecimentos que o tornaram – de um dos artistas mais populares do país na segunda metade dos anos 60 – um completo proscrito da nossa “cultura oficial” a partir da década seguinte. O autor contabiliza ter feito mais de 300 entrevistas com cerca de cem personagens. Recorreu a documentos inéditos, correspondências particulares do artista e materiais do Dops.
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