A dança das horas, o som das palavras
Em Balés, Bruna Beber mostra os seus afetos, depurados no gosto pela música
Bruna Beber sofre de um mal, descrito como português e histórico – ela sente saudade até do que não viveu. “Não que eu ache que é melhor o que passou, o que morreu, o que não deu certo”, diz. “Valorizo demais o agora.” Ela afirma que viver hoje o que ocorreu ontem é ilusão apenas. “No passado não há movimento, só memória, que por mais viva que seja, é só memória”, diz. “Então me debruço muito no que acaba para poder compreender todo dia que tudo recomeça.” Essa é a essência de Balés (Língua Geral, 56 pp., R$ 26), seu segundo livro de poemas. Trata-se de obra mais madura, influenciada pelo ritmo das músicas que escutou ao longo de sua vida de 25 anos. Balés foi criado enquanto Bruna entrava na idade adulta. Há quase 3 anos, ela deixou a casa dos pais no Rio para se fixar em São Paulo.
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