O divórcio entre o morro e o asfalto
Com história em quadrinhos sobre a filha de uma doméstica negra do Rio, franceses revisitam mitos sociais e raciais do País
Aquela “grande suavidade” que o legado da escravidão espalhou pela alma brasileira, segundo descreveu Joaquim Nabuco (1849-1910), de vez em quando é examinada pela ficção. Mas raramente pela ficção pop, a não ser no caso do hip-hop dos Racionais, MV Bill e outros que sabem bem onde o calo aperta. Negrinha (Desiderata, 104 pp., R$ 44 – Trad.: Fernanda Abreu) desafia essa tradição. Trata-se de uma história em quadrinhos escrita por um francês, Jean-Christophe Camus, e desenhada por outro francês, Olivier Tallec, e que examina com lupa essa triste suavidade do racismo brasileiro – ou a suposta “democracia racial”, como esquematizou Gilberto Freyre nos anos 1930. A HQ foi publicada originalmente na França este ano pela Gallimard Jeunesse.
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