Deus não existe fora da cabeça das pessoas
Saramago faz esta afirmação ao Estado e ainda critica o papa e Silvio Berlusconi
Da doença que quase lhe custou a vida no ano passado, José Saramago exibe poucos resquícios, como uma magreza ligeiramente mais acentuada que a habitual. A língua, porém, continua ferina e, prestes a completar 87 anos (em novembro), o escritor português comemora o lançamento de um novo livro, Caim (Companhia das Letras, 176 pp., R$ 36, à venda a partir de segunda-feira), disparando críticas a torto e a direito. Primeiro, contra um desafeto antigo, Deus – se em O evangelho segundo Jesus Cristo (1991) apresentou sua provocativa visão do Novo Testamento, em Caim Saramago volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, ao mostrar a jornada do personagem principal, depois de assassinar seu irmão Abel. Em seu trajeto, Caim amaldiçoa o amargo destino reservado por Deus. Nesta semana, quando esteve em Turim para o lançamento de sua obra anterior, O caderno (seleção de textos divulgados em seu blog), José Saramago revelou seu desprezo pela crença dos religiosos, em especial os católicos.
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