A China ausente
Proibido de ir à Feira de Frankfurt, escritor diz que evento não expõe a verdadeira face de seu país
Assim como as Olimpíadas de Pequim, no ano passado, a 61ª edição da Feira de Frankfurt, que tem a China como país homenageado, pode ser vista como mais uma etapa na lenta abertura do país ao Ocidente. Assim como nos Jogos, porém, essa abertura terminou por expor algumas das contradições do regime chinês. A Feira chegou ao fim no domingo dominada por protestos contra a censura e as violações dos direitos humanos na China e sob suspeita de ter cedido a pressões de Pequim para “desconvidar” escritores dissidentes. Mesmo assim, muitos autores barrados da delegação oficial chinesa encontraram lugar na programação da Feira, que ganhou reforços como o romancista Gao Xingjian, Nobel em 2000, e o poeta Yang Lian, ambos exilados na Europa. Para um outro escritor, contudo, não houve saída: incluído na lista negra do regime há duas décadas por protestar contra o massacre da Praça da Paz Celestial, o poeta Liao Yiwu foi impedido pelo governo de sair da China.
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