Entre a censura e a literatura comercial
O controle do governo sobre tudo o que é publicado caracteriza o mercado editorial da China, país homenageado em Frankfurt
Ser o país homenageado da Feira do Livro de Frankfurt deu a visibilidade que a China esperava para seu mercado literário, mas com ela vieram também as críticas à censura do regime comunista e a uma literatura comercial de qualidade duvidosa. Editores e donos de livrarias chineses se queixam da interferência do governo, que controla o que é publicado e, em vez de incentivar escritores talentosos, investe em livros vendáveis para as massas, como o setor de autoajuda. “Tudo o que é impresso é controlado. Por isso não sobrevive quase nada de boa qualidade, a censura causou uma perda inestimável à literatura”, diz Ai Weiwei, um dos artistas chineses contemporâneos mais crítico ao governo. No caso da Feira do Livro de Frankfurt, a China investiu 5 milhões de yuans, cerca de meio milhão de euros, para traduzir em seu próprio território 80 títulos para o alemão. O mercado literário chinês é controlado por 570 editoras estatais, que detêm os números ISBN, obrigatórios para a publicação de um livro. No entanto, são as editoras privadas que publicam mais de 60% dos best-sellers da China.
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