Editoras recebem Kindle com cautela
Setor acompanha movimento digital com interesse, mas não prevê impacto imediato nos negócios
A chegada oficial do Kindle ao Brasil despertou uma discussão que tem incendiado os meios acadêmicos em várias partes do mundo. Mas a despeito do barulho provocado pelo leitor eletrônico de livros da Amazon.com, a perspectiva do setor é de que no curto prazo o dispositivo não vai provocar nenhuma mudança radical nos negócios. “No curto prazo, essa tecnologia não terá nenhum impacto nos negócios”, diz Antônio Erivan Gomes, diretor comercial da editora Cortez. A empresa acompanha o movimento com interesse, mas ainda não tem uma estratégia montada para levar seu catálogo – formado em parte por livros técnicos – para o novo formato. Um dos fatores que reduzem a força do lançamento no mercado brasileiro é o preço do equipamento. A versão internacional do Kindle sai por US$ 279, mas com os impostos de importação e o valor do frete, o consumidor terá de desembolsar US$ 585,32 para receber o dispositivo em casa. Outro fator que pesa é a falta de títulos em português. Enquanto uma livraria comum trabalha, em média, com 15 mil a 20 mil títulos, o acervo digital da Amazon já chega a 200 mil obras. A diferença é que a maioria dos livros oferecidos pela Amazon está em inglês, argumenta Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL).
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