China paralela vai eletrizar Frankfurt
Manifestações de artistas banidos do país prometem melhorar programação oficial do evento, que inclui artes marciais e ópera
Ser convidada de honra da Feira de Livros de Frankfurt não vai poupar a China de críticas à ausência de liberdade de expressão no país, onde quase 50 escritores e jornalistas estão presos por manifestarem opiniões contrárias aos interesses do Partido Comunista. Vários eventos previstos para os próximos quatro dias vão discutir os limites da produção intelectual no país e deverão ganhar mais destaque que a rósea e oficialesca programação preparada pelo governo, que inclui lugares-comuns como acrobacias, artes marciais, chá, Ópera de Pequim e caligrafia – sem mencionar o lançamento das obras completas em inglês do ex-presidente Jiang Zemin. O que promete ser um dos mais explosivos painéis terá a participação de Rebiya Kadeer, a líder uigur exilada nos Estados Unidos e tratada como criminosa pelo governo chinês, que a acusa de ser responsável pelos conflitos étnicos que provocaram a morte de 197 pessoas na província de Xinjiang no mês de julho. Kadeer estará em um painel sobre escritores perseguidos pelas autoridades de Pequim, do qual também participará o tibetano ativista de direitos humanos Tsewang Norbu.
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