Contos de James Salter destacam personagens desviados
Pouca gente conhece o escritor americano James Salter. Mas muita gente de peso o admira. Susan Sontag, por exemplo, era uma de suas devotas. Sobre ele declarou: “Salter sabe gratificar aqueles para quem a leitura é um prazer intenso. É um dos poucos escritores americanos cujos livros eu gostaria de ler do começo ao fim”. De fato, a leitura de Última noite e outros contos (Companhia das Letras, ??pp R$ 39 – Trad. Samuel Titan Jr.) é um prazer intenso. Salter, que já foi um exímio piloto da Aeronáutica, sabe como ninguém manusear o complicado painel de instrumentos da literatura. Suas frases são concisas, às vezes cortantes, há elegantes elipses de tempo e inesperadas mudanças de pontos de vista. Com essas manobras quase sempre sutis, Salter evita não apenas excessos e sentimentalismos, mas também os formatos óbvios do conto. Daí resulta um conjunto único de histórias, que se sucedem numa seqüência de achados e surpresas, prendendo o leitor mais exigente.
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