Mexicana conta sua aventura no submundo
“Os narcotraficantes já impõem autoridades à luz do dia, os prefeitos municipais, os chefes da segurança, os que importam.” Sandra Ávila Beltrán fala com conhecimento de causa. Sabe o que se cozinha no interior dos bandos criminosos envolvidos em uma espiral de violência pelo controle do tráfico de drogas no México. Ela nasceu e cresceu nesse mundo. Parente de figuras conhecidas do ramo – a promotoria afirma que é sobrinha de Miguel Ángel Félix Gallardo, El Padrino, chefe dos chefes do narcotráfico mexicano nos anos 1980 -, essa mulher de 45 anos foi namorada, amante e esposa de chefões e de comandantes de polícia. Agora está prestes a completar um ano na prisão de Santa Marta Acatitla. E depois de um silêncio prolongado decidiu falar. O fez com um jornalista veterano e respeitado, Julio Scherer García, diretor do “Excelsior” na época dourada desse jornal e de revistas de referência como “Plural” e “Proceso”. Durante meses Dom Julio, de 82 anos, visitou a Rainha do Pacífico uma ou duas vezes por semana. As conversas transcorreram na sala de reuniões da penitenciária. Desses diálogos saiu um livro, A rainha do pacífico: a hora de contar, que acaba de ser publicado pela editora Random House Mondadori.
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