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Relatório da crise

12 de abril de 2005
2 min de leitura
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Depois de alguns meses de espera, finalmente está pronta a pesquisa encomendada por Carlos Lessa, quando ainda era presidente do BNDES, sobre a economia do livro no Brasil. Desenvolvida pelos economistas Fábio Sá Earp e George Kornis (foto) entre março e novembro de 2004, ela virou um calhamaço de 500 páginas. Enquanto não é transformada em e-book e disponibilizada no site do banco, você pode ler no Portal Literal as principais propostas apresentadas e os números levantados pelo relatório.
Eles revelam que a indústria editorial está em crise. As vendas de livros, desde o Plano Real, caíram pela metade. As editoras se multiplicam ao mesmo tempo em que livrarias são fechadas. Segundo números de 2004, temos hoje no país 1.400 livrarias, metade do número de editoras. O processo de fusão e as aquisições de algumas empresas editoriais brasileiras revelam que o segmento gráfico-editorial foi fortemente concentrado e desnacionalizado nos últimos três anos. “É um setor que trabalha hoje com a mais pura lógica de cartel”, comenta Kornis. Para reverter este quadro, os economistas sugerem o investimento em bibliotecas, sobretudo universitárias, a instituição do vale-livro, que beneficiaria alunos de baixa renda, e barateamento do preço final dos livros técnico-científicos, aumentando a escala de produção com subsídios e com a taxação de equipamentos utilizados na pirataria, como as máquinas de fotocópia. Das 13 propostas apresentadas ao final da pesquisa, seis são exclusivamente para a conduta do banco que, por uma questão de sigilo profissional, os economistas não podem detalhar. Mas, em linhas gerais, adiantaram que o BNDES estuda a oferta de um crédito para as editoras que poderia ser usado para a compra de papel e ajustes.

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