O veneno da víbora
Aos 86 anos, o sergipano Joel Silveira, conhecido como A Víbora por suas contundentes reportagens, não pode mais ir para a rua. Fica em casa. O apartamento, no edifício Yedda da movimentada Rua Sá Ferreira, em Copacabana, tem sido há meses o único ambiente em que ele circula. Joel tem dedicado seus dias a ver televisão, ao lado da esposa, Iracema, dois anos mais jovem: “Eu me casei aos 19 anos, então, já fizemos todas as bodas possíveis. Só falta a de césio ou plutônio”. Na mesa da sala, quatro douradas empadinhas trazidas por Conceição, que trabalha na casa, ficam intocadas. Para beber, Pepsi. “Uísque é para beber conversando. Beber sozinho é coisa de alcoólatra. Como todos os meus amigos estão no São João Batista, não bebo há muito tempo”, explica. Em pouco mais de duas horas, Joel Silveira, que cobriu a 2ª Guerra Mundial pelos Diários Associados e trabalhou nos principais jornais do país, falou sobre as eleições no Brasil e nos EUA e contou histórias, muitas, sempre saborosas, como deveriam ser as empadinhas que o bom papo não permitiu comer.
Joel, que já lançou dezenas de livros, tanto de ficção quanto de reportagem, acaba de mandar para as livrarias A feijoada que derrubou o governo (Companhia das Letras, 216 pp., R$ 37), com 17 perfis e reportagens sobre a política nacional.
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