Sainte-Beuve, Zumbi e o primeiro brasilianista
De um lado, o maior e mais influente crítico literário do século XIX, lido com a mesma atenção tanto por Henry James como por Machado de Assis. De outro, o obscuro líder de um grupo de escravos refugiados num quilombo nos confins de uma antiga colônia portuguesa. Os milhares de quilômetros e os mais de cem anos que separam Charles Augustin Sainte-Beuve (1804-1869) de Zumbi dos Palmares deveriam ser mais do que suficientes para que o homem de letras jamais viesse a tomar conhecimento da existência do misterioso personagem da história brasileira, muito menos mencioná-lo num dos artigos e ensaios que o tornaram famoso. E no entanto, numa destas críticas, escritas ainda no início de sua carreira, lá está o nome de Zumbi, ou melhor, “Zombé”. O líder do Quilombo dos Palmares, cuja morte completa 308 anos hoje, 20 de novembro, é mencionado numa resenha do livro Scènes da la nature sous les tropiques, no qual o francês Ferdinand Denis recicla parte de suas memórias do período que passou no Brasil, entre 1816 e 1819.
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