Mulher-Maravilha reciclada
Se na época do boom dos discursos feministas, lá pelos anos 60, a Mulher-Maravilha – que nasceu em 1941, em história escrita pelo psicólogo William Moulton Marston -, com seu jeitão de mocinha comportada, já era uma personagem datada, imagine então no mundo pós-moderno da correção política. Entretanto, dispostos a não perder dinheiro, os editores da famosa heroína buscaram todas as maneiras para mantê-la com sucesso de vendas. Chamaram até um desenhista nacional, o paraibano Mike Dedoato, para dar a suas partes calipígias um quê de brasilidade. Nada deu certo. Até que o perturbador álbum Hiketeia (Panini, 100 pp, R$ 7,50), que acaba de ser lançado no país, chegou ao mercado. Mesmo sem ser um best-seller, Hiketeia foi o remédio mais eficaz que a editora DC Comics encontrou para reciclar a Mulher-Maravilha. Escrito por Greg Rucka, o gibi é uma aula de ética que contou com o traço inspirado de J. G. Jones, tradutor, de maneira incisiva, do tom de absurdo do roteiro. Além de realçar a sensualidade da moreníssima princesa Diana.
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