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Diário de Notícias (Portugal)

Um escritor português à reconquista de Nova Iorque

Não se sabe ainda qual é o futuro literário próximo de António Lobo Antunes nos Estados Unidos, mas o seu regresso às traduções americanas dá-se de forma violenta e marcante com uma trilogia que inclui dois romances e uma coletânea de crônicas que, se a pretensão do seu editor vencer, irá primeiro penetrar no mercado sexualmente convertido aos prazeres fora da normalidade heterossexual e daí para os circuitos acadêmicos. Antes de publicar Os cus de Judas, o que acontecerá em 2009, o editor Bob Weil optou pelo romance Que farei quando tudo arde, que conta a história de Paulo, filho da "drag queen de Lisboa", conforme se escreve na orelha do livro publicado pela Norton. A edição que esta semana será apresentada ao público norte-americano pelo escritor português numa maratona de entrevistas, contatos e sessões públicas em Nova Iorque, Boston e Washington, inclui na contracapa citações da aclamação mundial do escritor.

24 setembro 2008

Livreiros irritados com atrasos

Começou o ano escolar e mais uma vez ouvem-se as queixas dos clientes acerca dos atrasos na entrega dos livros. As livrarias portuguesas dizem que as editoras estão atrasadas na distribuição dos manuais. As editoras dizem que esta é uma situação normal e que a distribuição está sendo feita com a celeridade possível. Os livreiros contatados dizem que "é complicado lidar com as reclamações das pessoas que vêm todos os dias perguntar se os livros já chegaram". José Menezes, do Grupo Leya, diz que o fato de os livros estarem atrasados é uma "situação normal que se repete todos os anos". E os atrasos têm uma razão: "A distribuição dos livros obedece a um critério: Quem recebe os livros em primeiro lugar são as escolas e as localidades mais distantes da editora, como por exemplo livrarias das ilhas da Madeira e Açores, que têm mais dificuldade em se deslocar até nós para recolherem as encomendas."

19 setembro 2008

Apreendidos quase 19 mil livros pirateados

Em oito meses, a Inspeção-Geral das Atividades Culturais de Portugal apreendeu cópias de 18.555 livros em duas operações desenvolvidas em reprografias de estabelecimentos de ensino superior e lojas de comércio barato. Estas apreensões foram feitas no âmbito de duas operações desenvolvidas de setembro a novembro de 2007 e de janeiro a maio de 2008. As duas operações denominadas Pergaminho visaram cobrir parte significativa do ano letivo de 2007/2008. Segundo a IGAC, o combate à cópia ou comercialização ilegal de livros foi uma das prioridades das inspeções no primeiro semestre de 2008. A esmagadora maioria dos exemplares apreendidos foram cópias de livros técnicos, tanto em papel, como em suportes digitais (CD, pen e disco rígidos de computadores). Houve também, se bem que em menor número, exemplares do ensino secundário apreendidos, notando-se uma crescente tendência para o ilícito.

8 setembro 2008

Visão de Tintim adulto retirada das livrarias

Tintim com vida sexual ativa e sem Milú, morto de velhice, e transformado em paparazzo; o capitão Haddock caído no alcoolismo; o professor Tournesol internado num hospital psiquiátrico. Este é o quadro negro da vida adulta da personagem da banda desenhada franco-belga criada por Hergé em 1929, ficcionado pelo espanhol Antonio Altarriba no seu livro El Loto Rosa (referência a O lótus azul, um dos álbuns de Tintim) e publicado no ano passado para coincidir com o centenário do nascimento do autor. O livro, formado por cinco ensaios sobre a personagem de Tintim, ilustrados por Ricard Castells e Hernández Landazábal, conclui com uma especulação sobre a existência adulta do herói, e não agradou aos herdeiros de Hergé, representados na sociedade Moulinsart, que detém os direitos da personagem. Considerando que El Loto Rosa representava "uma perversão" da figura de Tintim, a Moulinsart procurou boicotar a editora da obra, as Edicions de Ponent, e a distribuidora, e tentou que a cadeia de lojas FNAC deixasse de a vender.

23 agosto 2008

Editora cria cláusula moral para autores de livros infantis

A cláusula está para ser incluída em todos os novos contratos com autores de literatura infantil e juvenil de uma das maiores editoras do mundo e assume contornos de ameaça: caso o escritor seja apanhado em qualquer conduta que "afete a sua reputação enquanto pessoa idônea para trabalhar com ou estar associada a crianças e, por conseqüência, o valor de mercado da sua obra seja seriamente diminuído", a Random House reserva-se o direito de atrasar ou cancelar a publicação, reaver adiantamentos feitos por conta de honorários ou direitos, ou até rescindir contrato. Mas esta decisão, que está alimentando polêmica no meio literário britânico e cresce em discussões na blogosfera, é apenas uma entre outras que ameaçam prejudicar a imagem da editora britânica, que há duas semanas cancelou a publicação de um romance sobre a vida de uma das mulheres de Maomé por receio de ofender o mundo árabe.

23 agosto 2008

David Birmingham dá tonelada de livros a centro de estudos africanos

O primeiro grande historiador da África lusófona, David Birmingham, doou recentemente a maior parte dos seus livros à Biblioteca Central de Estudos Africanos (BCEA), sediada no ISCTE, em Lisboa, com o qual colabora esporadicamente. David Birmingham, considerado o mais importante investigador na moderna historiografia angolana, escreveu pela primeira vez a história desse país de uma forma científica, até então a cargo de autodidactas, administradores coloniais e outros. A sua investigação teve a particularidade de incluir um novo olhar sobre os africanos, influenciando de forma determinante a formação de jovens investigadores de várias nacionalidades, que, a partir dos anos 60, começaram a dedicar-se à história das antigas colónias europeias.

11 fevereiro 2008

Biblioteca de 4,5 milhões abre só durante a tarde

Apesar da pompa e circunstância na inauguração da nova Biblioteca Municipal de Viana do Castelo em Portugal, no dia 20/01 e na presença do primeiro-ministro, o equipamento, desenhado por Siza Vieira e que custou 4,5 milhões de euros, funciona apenas à tarde, com a autarquia de se auto tratar de um "museu visitável". Os utilizadores, sobretudo jovens estudantes, é que não apreciam as condições atuais de funcionamento. "Cheguei às 9h e estava fechada, o que comprometeu todo o estudo que queria fazer. Tive de voltar à tarde e depois constatei que ainda não têm máquina fotocopiadora, ou seja, vim cá para nada", criticou Cláudia, estudante de 20 anos.

11 fevereiro 2008

Maior livraria de Portugal abre no centro do Porto

A maior livraria de Portugal, com mais de 150 mil títulos, vai surgir na degradada Praça de Lisboa, no centro da cidade do Porto, depois de renovada e coberta com uma estrutura ondulada de vidro e betão. Depois da capital, o Porto acolhe a Byblos, a segunda de uma cadeia de livrarias, que deve estender-se a outras cidades, criada por Américo Areal, antigo proprietário da editora Asa. A solução encontrada para reabilitar a Praça de Lisboa, transformada há 20 anos no Clérigos Shopping, agora com as lojas devolutas e vandalizadas, foi anunciada pelo presidente da Câmara do Porto. Com a abertura da maior livraria portuguesa, no centro da cidade, Rui Rio dará assim uma resposta aos que o acusam de esquecer e desprezar a cultura na sua gestão autárquica. O projeto, além da mega-livraria, prevê ainda a instalação de um auditório, bar e um restaurante panorâmico.

3 fevereiro 2008

O livro mudou e tudo por causa da economia

O mercado dos livros está mudando também em Portugal. Para começar, passamos a chamar de mercado. A imagem da livraria tradicional, com poucos livros e pequenas quantidades, desapareceu, e isso aconteceu por duas razões quase concomitantes, ambas económicas: a FNAC e a venda de livros nos hipermercados. Após a multiplicação das FNAC, veio o terceiro maior grupo editorial do mundo, a Bertelsmann, que comprou as lojas Bertrand e as tem multiplicado: já têm metade da comercialização de livros em Portugal. Dia 02/02 o DN revelou o próximo passo da Byblos, a abertura de uma livraria no Porto, ainda maior que a de Lisboa. E já não é novidade que Pais do Amaral entrou de repente neste setor para criar o maior império editorial português.

3 fevereiro 2008

O homem dos livros raros nega roubos

O antigo jornalista, que será julgado pelo crime de furto de dezenas de livros raros em Portugal, alguns deles primeiras edições autografadas, de 11 bibliotecas do Porto, nega a acusação. "A Polícia Judiciária (PJ) fez passar a idéia de que eu entrava nas bibliotecas só para roubar e estava a preparar um programa de televisão." Na busca ao quarto, onde vivia o antigo jornalista no Comércio do Porto, a "PJ encontrou o guião de alguns programas já feitos". A ideia inicial, diz José Manuel da Silva, 50 anos, que por motivos de doença faltou ontem a mais uma sessão do julgamento, era fazer uma série de "reportagens para o Diário de Notícias".

31 janeiro 2008