O romance brasileiro na era do marketing
Projeto literário que pretende levar 14 escritores a 14 capitais brasileiras para escrever romances traz de volta à pauta os mecanismos heterodoxos de financiamento de obras de ficção
A nota, discreta, saiu no “Diário Oficial da União”: desde o último dia 13, uma produtora paulistana está autorizada a captar recursos, via Lei Rouanet, para financiar viagens cujo objetivo é inspirar um grupo de autores a escrever romances. Em tempos não muito distantes, recorrer ao Ministério da Cultura para financiar um projeto que parecia mais vocacionado para o Ministério do Turismo inflamou tanto os ânimos que o pai da ideia acabou desistindo do pleito e financiou as viagens do próprio bolso. Era 2007, e o projeto, o Amores Expressos, agitou rancores. O novo projeto, Redescobrindo o Brasil, sai com alguns pés de vantagem. O aval do governo para captação de R$ 672 mil via isenção fiscal já foi dado. O Redescobrindo o Brasil é uma espécie de filhote mais modesto do Amores Expressos, embora a comparação não seja do agrado da escritora Adriana Lisboa, uma das idealizadoras da iniciativa. A curadoria é dividida entre Adriana e o ficcionista Luiz Ruffato. Ao todo, a coleção deve ter 14 romances escritos por 14 autores convidados a passar 15 dias em 14 diferentes capitais brasileiras. A ideia é que todos estejam publicados [pela Casa da Palavra] e traduzidos para a Feira de Frankfurt de 2013.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
