O mago da história pátria
Como um jornalista que só queria pôr o pé no mercado bate o recorde de venda de livros e agora escreve sobre a República não proclamada
5 horas da manhã. Laurentino Gomes posta seu primeiro “tweet” do dia. “Dom Pedro acordou, em Santos, e está a caminho do porto de Cubatão.” “O litoral paulista está frio, úmido e tomado pelo nevoeiro.” Assim, em “real time”, minuto a minuto, hora a hora, 140 caracteres de cada vez, foi sendo narrada a jornada do príncipe até a colina do arroio Ipiranga na tarde de 7 de setembro de 1822. Ali recebeu as famosas cartas das cortes de Lisboa que exigiam a volta de sua alteza para Portugal. São 16 horas e 30 minutos, dom Pedro hesita, não sabe bem o que fazer e, finalmente, se decide: amassa as cartas e joga-as “na relva”. O “tweet” agora é apoteótico: “As cortes chamam-me de rapazinho e de brasileiro… Pois verão quanto vale o rapazinho… Proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal”. Era o Grito do Ipiranga, embora o lema “Independência ou Morte” só venha a aparecer na história horas mais adiante. Essa, em versão livre, foi a série de mensagens que o jornalista e escritor enviou do computador de sua casa no dia 7 de setembro de 2009. Criatividade? Brincadeira? Twitter às vezes também é cultura? Tudo isso e mais pouco: marketing!
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