O mundo cão de Isabel Allende
Ao lançar O caderno de Maya, escritora chilena fala de violência, anorexia e abuso sexual e defende a descriminalização das drogas
Por mais de duas décadas, a escritora chilena naturalizada americana Isabel Allende assistiu, dentro de casa, à devastação provocada pelas drogas. Anotou num caderninho pensamentos sobre o sofrimento dos três filhos de seu marido, o promotor William Gordon. Registrou fatos como a prisão do mais velho, por porte de drogas, a peregrinação do mais novo por clínicas de reabilitação e a morte da do meio, aos 28 anos de idade, depois “de ter usado tudo o que existia”. Em 8 de janeiro de 2010, obedecendo à tradição de começar um livro sempre no mesmo dia em que digitou as primeiras palavras de A casa dos espíritos, seu maior sucesso, Isabel sentou-se diante de seu computador, na Califórnia, e decidiu que era hora de expurgar a dor enrustida. Assim nasceu O caderno de Maya, que a editora Bertrand Brasil lança amanhã no país e que marca uma reviravolta na produção literária de Isabel. Conhecida por seus romances históricos e de época, a autora mergulha agora na contemporaneidade e deixa entrever as angústias desse mundo cão.
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