Livro narra caça a João Gilberto em tom policial
Em Ho-ba-la-lá, o jornalista alemão Marc Fischer produz relato apaixonante sobre o inventor da bossa nova
Um jornalista alemão, Marc Fischer, intrigado pela figura de João Gilberto – misto de fascínio pelo artista e de amor e ódio pelo homem que não sai de casa, não se deixa ver e não fala com ninguém, mas hipnotiza as pessoas à distância –, acaba de produzir um livro apaixonante: Ho-ba-la-lá – À procura de João Gilberto (Companhia das Letras, 184 pp., R$ 34, Trad. Sergio Tellaroli).Algum brasileiro escreveria livro igual? Não é o nosso jeito – somos muito solares. Quem mais faria do inventor da bossa nova o personagem de um “roman noir” composto de fatos reais, com especulações (surpreendentemente a propósito) sobre a morte, o destino, a solidão, a fala por silêncios e a sensibilidade para com o invisível? Quem mais mostraria João Gilberto como um sonhador, um iogue, uma jiboia, um mutilado de guerra, um vampiro ou um homem que, 10 horas por dia, cria obras-primas para as paredes? Um homem onipresente no coração e mente das pessoas que o cercam, muitas das quais não o veem há dez anos – ou nunca o viram. E que representa o perigo – há quem tema se apaixonar ou se deixar escravizar se se aproximar dele.
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