Voz perene pela liberdade do Egito
Desejo de justiça e democracia pautaram a literatura de Naguib Mahfouz, que completaria 100 anos amanhã
O egípcio Naguib Mahfouz, um dos grandes nomes da literatura mundial, que morreu em agosto de 2006, completaria 100 anos amanhã. A obra desse escritor é um atalho e a melhor fonte para quem deseja conhecer a alma do povo egípcio. Aliás, para quem lutou a vida inteira por democracia, liberdade e justiça social, não poderia haver melhor presente do que a Revolução do Nilo. O ano de 2011 foi digno de uma obra-prima de Mahfouz: começou e praticamente acabou com o povo acampado na Praça Tahrir disposto a tudo para derrubar todos os vestígios da ditadura de 30 anos de Hosni Mubarak. Tanta novidade potencializaria a inspiração de Mahfouz, que tinha o dom especial, concedido a poucos, de fazer com que personagens da ficção parecessem pessoas de carne e osso, com personalidade, desejos, paixões e, principalmente, contexto histórico e identidade cultural. Apesar das mazelas desses personagens, os leitores se identificam com eles, porque são dotados das contradições que todo ser humano carrega.
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