Cultura em revista
Livro reúne cem publicações desde 1922, preservando a história de uma produção que hoje briga por patrocínio e formação de público
Para formar sua coleção de revistas de cultura brasileira, o editor Sergio Cohn contou mais com os sebos e com os amigos do que com as bibliotecas. Em uma década, ele uniu pontas de uma memória dispersa, até chegar a mais de 200 títulos (cada um com diversos exemplares), guardados em caixas de plástico no escritório. Foi nos últimos três anos que as caixas se multiplicaram mais velozmente, com a pesquisa, a compra e a seleção de cem desses títulos para o livro Revistas de invenção (248pp., R$ 68), que acaba de ser lançado pela editora de Cohn, a Azougue. Espécie de compêndio das publicações de cultura no Brasil — da “Klaxon” dos modernistas, em 1922, até as revistas do fim dos anos 1990, como “Medusa” e “Vintém”, passando pelas célebres “O Pasquim”, “Senhor” e “Realidade”, entre outras —, o livro olha para trás para pensar à frente: seu embrião foi um edital do Ministério da Cultura (MinC) para financiar revistas atuais. Em 2006, Cohn inscreveu a revista “Azougue”, criada por ele em 1994, e foi contemplado. E então se deu conta de que novos editores não tinham um panorama histórico do que foi produzido. Surgiam a ideia do livro e um novo edital.
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