Edições bem acabadas e para colecionadores podem ser o futuro do livro
Cada vez mais editoras investem em projeto gráfico e lançam livros-objeto para todos os bolsos
Ter na estante a edição de Velórios, de Rodrigo Melo Franco de Andrade, lançada agora pela Confraria dos Bibliófilos, é privilégio de apenas 351 pessoas. Fãs da Gucci têm que correr: só 100 exemplares do livro sobre a história da marca estão à venda aqui, por R$ 520. Mais exclusiva ainda é a edição de luxo, com fotos autografadas por jogadores, de Nação Corinthians, obra com mais de 600 páginas e 28 quilos lançada pela Toriba no ano passado. Os 11 exemplares foram vendidos em 30 dias. Custava R$ 15 mil. Ou então Cruzeiro, de Lúcia Mindlin Loeb, neta do bibliófilo José Mindlin, que saiu pela Tijuana em cinco exemplares – vendidos a R$ 4 mil. Esses são os extremos: livros de colecionador ou de artista, feitos em tiragens reduzidíssimas, alguns assinados e numerados. Mas um novo mercado tem se desenvolvido aqui e pode ser uma saída para o livro impresso num futuro que se prevê digital (especialmente para obras de entretenimento e pesquisa) – o de edições caprichadas, com um projeto gráfico ousado, impressas em tiragens industriais e que cabem no bolso de quase todos os leitores, ou pelo menos dos que valorizam o objeto livro. Na concorrência com o e-book, a luta pode ser estética. Uma das principais responsáveis pela nova cara do livro brasileiro é a Cosac Naify. “O trabalho que realizamos em torno de um conceito do livro como um objeto material é mais difícil de ser substituído pelo digital, pois aquilo que ele oferece não tem um correspondente no digital”, explica Florencia Ferrari, diretora da Cosac Naify.
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