Espelho, espelho meu
Em um mundo onde técnica e imagens imperam, a palavra se entorta. Nada contra imagens ou a tecnologia, mas é preciso tomar distância dela para continuar a dominá-la
“Espelho, espelho meu, há alguém mais conectado do que eu?” A pergunta ecoa pelas cidades. Em uma delas, participo de uma mesa de debates em que um dos convidados, debruçado sobre um laptop, tuíta o tempo todo. Amigos queridos, em um restaurante, apesar dos fortes vínculos que nos unem, passam a maior parte do jantar debruçados sobre celulares – pequenos espelhos -, alimentando, como tratadores dedicados, as páginas de seu Facebook. No avião, o senhor a meu lado se irrita quando o chefe de cabine anuncia que os aparelhos eletrônicos devem ser desligados. É com rancor que desliga seu tablet. Pouco antes, tranquilo, a alma derramada sobre a imagem. Agora ele se impacienta, se agita, é tomado pela angústia. O que o angustia? A “alma” (as palavras), que agora é obrigado a deslocar para dentro de si. E como isso lhe pesa!
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
