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David Grossman escreve sobre experiência insuportável: a perda de seu filho

27 de agosto de 2012
2 min de leitura

Fora do Tempo usa figura mitológica para contar tragédia

A dor da perda de seu filho mais novo Uri, morto há seis anos em combate no sul do Líbano, tornou a tarefa de escrever sobre a tragédia um ato insuportável, apenas superado porque a poesia veio em socorro do escritor israelense David Grossman, um dos mais conceituados autores de seu país ao lado de Amós Oz. Grossman, que escreveu um livro notável sobre a amarga experiência que divide com outros pais em Israel, Fora do Tempo (Companhia das Letras, 176 pp.., R$ 34,50 – Trad.: Paulo Geiger), teve de recorrer a uma figura mitológica para realizar esse trabalho de luto, um insólito centauro – metade homem, metade escrivaninha. Ele usa esse híbrido como metáfora do ser que perde a natureza humana, se torna afásico e depois recupera o poder da fala para traduzir em palavras a dor que sente, seguindo adiante em seu mundo de ausências. Como resultado, Fora do Tempo escapa a qualquer classificação de gênero. Não é romance, ensaio político, mas pode ser lido como prosa poética que reconta o drama vivido por Grossman e sua mulher sem que em nenhum momento seja evocado o nome de Uri.

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