Eucanaã Ferraz encontra alta poesia em Sentimental
O poeta carioca utiliza elementos como o humor, o diálogo com mestres e a ligação com Portugal
Aos 51 anos, muitos livros de poesia e literatura infantil depois, o carioca reaparece com um novo volume, Sentimental (Companhia das Letras, 96 pp., R$ 32). Para quem conhece o trabalho de Eucanaã, a familiaridade é inevitável: estão ali o humor, a delicadeza, o diálogo com os velhos mestres João Cabral de Melo Neto (1920-1999), Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987) e Manuel Bandeira (1886- 1968), bem como a ponte ultramarina que ele costuma estalebecer com Portugal. Falar de amor hoje, em poesia, é considerado meio cafona (o que pega bem é a metalinguagem). Pois Eucanaã trata de amor e sexo. Sem contar a coragem de dar o nome de “O Coração” para um poema do novo livro. Se parece coisa de diário adolescente, os versos crus apagam qualquer semelhança: “Quase só músculo a carne dura. / É preciso morder com força”.
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