São lágrimas de Portugal
Cansado da tietagem no meio literário, António Lobo Antunes vive falando em parar de escrever. Mas, para sorte de seus fãs, não cumpre a ameaça
Aos 70 anos, Lobo Antunes vive ameaçando parar de escrever, mas segue ativo. Acaba de lançar em Portugal um novo romance, Não É Meia Noite Quem Quer, que conta a visita de uma mulher de meia-idade à casa que sua família tinha na praia – o imóvel foi vendido e ela deseja se despedir de tudo o que viveu ali. No Brasil, a novidade é a publicação de uma faceta menos conhecida do autor. A coletânea “Granta Medidas Extremas” (Alfaguara, 304 pp., R$ 39,00) traz 12 das cartas escritas por Lobo Antunes para sua primeira mulher, entre 1971 e 1973, quando participou da guerra colonial em Angola como médico do Exército português. “Não voltarei a ser a pessoa que fui, nunca mais”, diz em uma das mensagens. […] Por telefone, ele conta que nunca voltou a ler essas cartas. Também não gosta de comentar os livros que escreveu. Diz que apenas tenta ouvir uma voz pela qual se apaixone e deixar a mão trabalhar sozinha. Depois, é corrigir. “Aí é chato. E um livro no fundo é feito de correções e correções e correções e correções.”
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