Um editor e a arte de andar na contramão do mercado
Sabático entrevista Charles Cosac
Em junho de 1997, o mercado viu chegar às livrarias um volume inusual com mais de dez tipos de papel e duas centenas de ilustrações. Não era exatamente a espécie de livro de arte que circulava entre os leitores brasileiros. Compreensível. Nem o artista que assinava o livro Barroco de Lírios, Tunga, nem seu editor, Charles Cosac, eram tipos convencionais. Tunga, um dos vetores da arte contemporânea brasileira, trabalha com chumbo e materiais corrosivos em suas obras. Charles está longe de ser um editor burocrático. […] Em seus 16 anos de existência, a Cosac naify passou 15 deles no vermelho, inicialmente bancando livros de arte sem o amparo de leis de incentivos. Michael Naify, o sócio americano e cunhado de Charles Cosac, socorreu financeiramente a editora que, ao enveredar por outras áreas – literatura, antropologia, filosofia, arquitetura, moda, cinema –, obteve melhores resultados financeiros. Isso permitiu a expansão do catálogo e a publicação de livros infantojuvenis de temas complexos – foi a primeira editora a lançar um livro gay para crianças, Meu Amigo Jim. Caracterizada pela ousadia de seus projetos gráficos, a Cosac Naify já recebeu mais de 50 prêmios nacionais e internacionais, tendo no catálogo ficcionistas como Enrique Vila-Matas e ensaístas como Arthur Danto.
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