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Nabokov e a felicidade

21 de junho de 2013
2 min de leitura

A ‘soma de beleza e compaixão’ é a fórmula do escritor para a arte, diz biográfo; autor de ‘Lolita’ está de volta em duas obras

Em janeiro, um grupo denominado cossacos cristãos pichou “pedófilo” na parede do Museu Nabokov, em São Petersburgo. O vandalismo ocorreu uma semana depois do lançamento de uma garrafa a uma janela da instituição, localizada no imóvel onde o escritor Vladimir Nabokov nasceu em 1899. A garrafa continha um bilhete com a seguinte mensagem: “A ira de Deus”. Ao mesmo endereço, durante os seis meses anteriores, haviam chegado cartas que classificavam Lolita (1955), o romance mais conhecido de Nabokov, como “amoral”. Esses ataques constituem uma prática antiga. Ao longo da sua carreira e depois da sua morte, em 1977, Nabokov foi associado a imoralidade e insensibilidade. […] O lançamento simultâneo de dois livros no Brasil apresenta uma perspectiva menos focada em moralidade. Tanto em Contos Reunidos como em O Encantador: Nabokov e a Felicidade, publicados pela Alfaguara, o ficcionista surge com uma visão de mundo avessa à perversidade. Nabokov havia enfatizado essa característica no posfácio de “Lolita” ao explicar: “Uma obra de ficção só existe na medida em que me proporciona o que chamarei sem rodeios de prazer estético, isto é, a sensação de que de algum modo, em algum lugar, está conectada a outros estados da existência em que a arte (a curiosidade, a delicadeza, a gentileza, o êxtase) é a norma”.

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