Nova versão da odisseia traz de volta o herói
Tradução de Christian Werner refaz viagem das letras ocidentais
Em um dos muitos episódios mais do que célebres da Odisseia (Cosac Naify R$ 159 a edição especial, R$ 79) – que ganha nova tradução e edição brasileira, do professor da USP Christian Werner pela Cosac Naify – Odisseu e seus companheiros se veem presos em uma gruta com Polifemo, um ciclope “portentoso”. Esperando uma boa recepção, como é costume entre os povos na cultura homérica, eles são surpreendidos com o engano. Depois de ver alguns companheiros serem jantados sem dó, Odisseu cega Polifemo e consegue escapar da caverna. Antes de deixar a terra dos ciclopes, porém, Odisseu grita com “ânimo rancoroso”: “‘Ciclope, se a ti algum homem mortal interpelar sobre o ultrajante cegamento do olho, afirma que Odisseu arrasa-urbe te cegou, o filho de Laerte, que tem sua casa em Ítaca’”. O episódio é apenas um dos mitos fundadores da literatura ocidental que hoje estão no imaginário coletivo de quase qualquer pessoa, mesmo aquelas que nunca passaram perto do poema. “Desconfio que nem mesmo a Bíblia e Shakespeare sejam tão influentes, direta e, sobretudo, indiretamente”, diz, sobre o poema, o professor Christian Werner. A caprichada edição da Cosac Naify não traz só a saudável tradução inédita da Odisseia. O artista plástico Odires Mlászho produziu colagens inspiradas no universo do poema, que vêm junto à edição especial.
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