Etgar Keret descreve situações estranhas narradas por pessoas comuns
Israelense é mestre em unir concisão com nonsense
Entre os vários elogios recebidos pelo escritor israelense Etgar Keret – o britânico Salman Rushdie, por exemplo, encanta-se com seu brilhantismo, “diferente de qualquer outro que eu conheça” -, o que ele prefere é o fato de ser o autor cuja obra é a mais furtada nas bibliotecas públicas de seu país. Aos 46 anos, Keret é considerado o principal nome da moderna literatura israelense. Apesar de traduzida para 34 idiomas, sua escrita é praticamente desconhecida no Brasil, barreira finalmente quebrada com o lançamento da coletânea de contos De repente, uma batida na porta (256 pp, R$ 34,50 – Tradução de Nancy Rozenchan), pela editora Rocco. Oportunidade para se descobrir como o desencanto é fundamental em sua obra. O brilhantismo referido por Rushdie está em combinar em perfeito equilíbrio situações estranhas, surreais, vividas por personagens comuns, familiares. A união entre o extraordinário e o normal resulta em textos que divertem, mas incomodam, especialmente pela sua enorme força humanista. [Keret é um dos convidados da próxima Flip, que começa no dia 30].
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