Recursos de Sérgio SantAnna ainda surpreendem
‘O homem-mulher’, novo livro de contos do escritor, foi lançado pela Companhia das Letras
Mudam-se os tempos e Sérgio Sant’Anna (1941) continua a mudar, mesmo no conto, onde sua mestria está bem estabelecida desde meados dos anos 70. Após ler o seu novo livro no gênero, O homem-mulher (Companhia das Letras, 184 pp, R$ 38), é obrigatório constatar que os seus recursos para efetuar um conto ainda surpreendem. São 19 contos, muito diferentes entre si, em ação (de sexo no cemitério à notícia de ataque de tubarões), tempo (da década de 70 ao pós-apocalipse), personagem (do escritor famoso a barata de container) e lugar (do Turzequistão ao largo do Machado). Alguns contos são muito curtos e mal atingem duas páginas, outros relativamente longos e contados duas vezes, de forma a tornar apenas início o que parecia já ter avançado até o desfecho. Justamente porque variam tanto, é difícil dar uma ideia coesa do livro, que, mais provavelmente, sequer exista.
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