Às vezes eles voltam
No ano do seu centenário, Bioy Casares sai da sombra
O escritor argentino Adolfo Bioy Casares, cujo centenário comemora-se hoje (15), viveu à sombra de seu amigo Jorge Luis Borges. Embora menos lido do que o autor com quem dividiu projetos e autoria, estudiosos e fãs analisam o caráter discreto e refinado de sua obra e destacam faceta menos conhecida de memorialista. Nascido em 15 de setembro de 1914, Bioy Casares é uma espécie de fantasma entre seus pares. Suas aparições são sutis; seu estilo é transparente, sem estridência, e sua obra parece estar sempre à sombra. Durante toda a vida, o autor de A invenção de Morel (1940) foi vinculado a Borges, seu amigo e parceiro literário, com quem escreveu livros, fez traduções e organizou antologias. Ironicamente, a mística da discrição o acompanhou até em seu centenário, obliterado por um outro, apoteótico, o de Julio Cortázar. Diante de tais particularidades e contingências, os caça-fantasmas literários têm tido trabalho dobrado para tirar o autor daquele limbo para onde vão os escritores após a morte. A oportunidade parece estar chegando. Se não propriamente de “justiça” ou ampla “redescoberta” –porque Bioy dará um jeito de desaparecer–, pelo menos de investigar seu legado e se sua obra ainda tem o poder de assombrar.
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