Chandler é um cara durão, na interminável noite americana
Autor é alicerce da literatura noir norte-americana
Raymond Chandler (1888-1959) é, ao lado de Dashiell Hammett, um dos alicerces da literatura noir norte-americana, especialmente no âmbito do que se convencionou chamar de hard-boiled. Espécie de subgênero, o hard-boiled é muitíssimo bem representado por personagens como os detetives particulares Sam Spade (criação de Hammett) e Philip Marlowe (concebido por Chandler). Nas narrativas protagonizadas por esses dois, o que muitas vezes importa não é tanto a solução dos mistérios e assassinatos que se vão acumulando pela trama afora, o popular whodunit (ou “quem fez isso?”), mas a caracterização de uma atmosfera corrupta, repleta de opressão, incerteza e brutalidade. Em O sono eterno (L&PM, 276 pp.), por exemplo, temos uma Los Angeles que parece completamente tomada por gângsteres, mocinhas selvagens e/ou desorientadas, e também por assassinos e chantagistas que trabalham, com frequência, sob a proteção de policiais espúrios.
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