O Sapo Luiz não quer ser príncipe
Após discurso na Feira de Frankfurt de 2013, Luiz Ruffato não foi mais convidado para eventos em homenagem ao Brasil
O escritor Luiz Ruffato se considera “um homem de sorte. Mãe lavadeira e analfabeta, pai pipoqueiro e semianalfabeto, e eu vivo de letras. Muita ironia, não?”. No ano passado, lançou três livros, entre os quais o infantojuvenil A história verdadeira do sapo Luiz (DSOP). “É minha autobiografia. O Sapo Luiz sou eu. Eu sou o sapo que não virou príncipe. Minha tese é que você não precisa virar príncipe para ser feliz.” Há 11 anos Ruffato vive apenas de literatura. Afirma que apenas 20% do que ganha provém de direitos autorais. A maior parte, 50%, é resultado da participação em feiras, festivais literários e palestras; os outros 30% são da coluna que escreve para o site brasileiro do jornal espanhol El País e de uma consultoria para o Itaú Cultural. Em 2013, Ruffato causou polêmica ao fazer o discurso de abertura da Feira de Frankfurt, que homenageava o Brasil. Ele fez severas críticas às desigualdades sociais brasileiras. Suas palavras contrastaram com o discurso oficial do governo brasileiro, que vê nas conquistas sociais dos últimos anos sua maior realização. “Olha, é a primeira vez que vou dizer isto. É sério. Depois da Feira de Frankfurt não fui convidado para nenhuma.” Faz uma pausa e repete a palavra com ênfase: “Ne-nhu-ma feira onde o Brasil foi homenageado. Virei uma pessoa perigosíssima”. Em 2014, esteve em vários países para lançar seu romance Flores artificiais. “A Embaixada do Brasil na Itália não permitiu que eu lançasse o livro lá. Na Alemanha, a embaixada aceitou, cancelou e só depois voltou atrás.”
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