Mário de Andrade ganha primeira biografia
Livro de Eduardo Jardim enfatiza a derrota do projeto cultural do escritor
Mário de Andrade (1893-1945) foi por décadas uma figura central da cultura brasileira – e seu nome ecoa até hoje. Teses foram escritas sobre ele. Suas cartas são publicadas há 20 anos. Seus textos são estudados nas escolas. O papa do modernismo, cuja morte completa 70 anos na próxima quarta-feira, será homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, que acontece em julho, e em uma série de lançamentos. Assim, parece o criador de um projeto de arte e de um Brasil vitoriosos – mas não é bem assim. Pelo menos não é essa avaliação de Eu sou trezentos – Mário de Andrade: vida e obra (Edições de Janeiro/Biblioteca Nacional, 464 pp, R$ 49,90), de Eduardo Jardim, primeira biografia de um homem visto por muito tempo como “imbiografável” (por medo de que a abordagem sobre a sexualidade do pensador pudesse gerar processos judiciais). O livro carrega uma visão mais pessimista que o usual. O Mário de Andrade retratado por Eduardo Jardim não é um vencedor, mas um homem que dedicou sua existência a um projeto artístico e de nação – para vê-lo derrotado no fim da vida. [O lançamento do livro acontece na próxima quarta (25), a patir das 19h, na Livraria da Travessa do Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Rio de Janeiro/RJ).
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