Zweig cria retrato melancólico de um mundo que se perdeu
Autobiografia faz pensar que autor esteve presente em todos os lugares da história
A Autobiografia: o mundo de ontem (Zahar, 400 pp, R$ 59,90), do austríaco Stefan Zweig (1881-1942), é um livro instrutivo. O autor descortina sua vida desde a infância, fala da época áurea anterior à Primeira Guerra e, num capítulo cinematográfico, descreve a pujança pacífica do verão que precedeu o colapso depois do qual a Áustria, outrora potente e ora destruída, seria forçada a uma autonomia que ela própria recusava. Conta dos encontros com Rilke em Paris, Joyce em Zurique, Górki em Sorrento, o ancião Freud em Londres. O túmulo de Tolstói na Rússia é descrito poeticamente, assim como a crença do povo russo no ideal coletivo. Zweig fala de uma carta pessoal a Mussolini para reivindicar melhor destino a um desconhecido e da sensação de morar diante de Hitler em Salzburgo. Sua autobiografia faz pensar que esteve presente em todos os lugares em que a história aconteceu na primeira metade do século 20.
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